Review The Last Of Us II

Review The Last of Us Part II: brutalidade nua e crua em uma obra-prima

O PS3 teve o fim da geração marcado por ótimos jogos, mas The Last of Us foi, sem dúvida, aquele que elevou o nível do console, tornando-se um dos queridinhos dos fãs e da indústria. O game não só mostrou que ótimas narrativas podem ser memoráveis como também provou que a atenção aos detalhes às vezes pode ter mais valor do que grandes mundos abertos.

Sete anos depois, The Last of Us Part II vem para fechar a história do PS4 com chave de ouro na promessa de repetir a dose emocional que tantos jogadores amaram em 2013. Mas será que a fórmula de sucesso se saiu tão bem mesmo tanto tempo depois? Confira a análise completa.

Uma trama impactante e pesada

Segundo Neil Druckmann, diretor de ambos os games da franquia, The Last of Us era sobre o amor, mas Part II é sobre o ódio. De fato, o jogo passa mensagens fortes sobre vingança, rancor e o ciclo do ódio, deixando um pouco de lado as criaturas e infecções de parasitas.

Na história, seguimos Ellie 4 anos após os eventos do primeiro game, vivendo na pacata comunidade de Jackson. Contudo, eventos inesperados dão um pontapé para o pior e colocam a protagonista em uma busca implacável — e a qualquer custo — por vingança.

Um jogo cheio de ação e com uma história envolvente.

Fonte: Playstation

 

Para não estragar a experiência, não vamos dar spoilers, mas espere momentos brutais e sem floreios que vão tocar os seus sentimentos. É a realidade nua e crua que levanta pontos muito interessantes sobre a realidade humana e a linha tênue entre herói e vilão.

Poucos títulos até hoje ofereceram uma profundidade tão interessante sobre os dois lados de uma mesma moeda. A coisa mais legal de The Last of Us Part II é que ele aborda mais do que o certo e o errado e nos cativa a experimentar uma narrativa que move o game do começo ao fim.

Certamente o título oferece uma história de excelente qualidade e praticamente tão boa quanto a do game de 2013. Ainda assim, até o melhor dos enredos tem suas fraquezas. Em uma campanha que pode variar de 25 a 35 horas, dependendo do seu estilo de jogo, alguns personagens poderiam ser mais bem desenvolvidos.

Ellie não está sozinha nessa jornada, e em diversos trechos a Naughty Dog colocou diálogos muito interessantes entre os personagens de apoio e a protagonista. Contudo, alguns deles parecem ter propósitos únicos na trama e poderiam ter um plano de fundo explicado de forma mais coerente.

No fim, o que temos é um enredo rico, cheio de momentos marcantes, com uma mensagem forte e que toca em assuntos muito bacanas que poucos jogos exploram. Ao terminar, somos deixados com um amargor na boca e coisas difíceis de digerir.

Não se mexe em time que está ganhando (mas sempre dá para melhorar)

The Last of Us foi uma obra aclamada pela crítica e pelo público, mas certamente não trouxe nenhuma reinvenção em relação à jogabilidade que já não havíamos visto antes, o que incluiu algumas coisas chatas, como desafios repetidos para levar escadas de pedaços de madeira e transportar Ellie.

O segundo jogo não reinventa a roda, mas certamente corrige alguns problemas do primeiro e traz elementos novos. Os puzzles são mais orgânicos, com ritmo mais bem distribuído entre as lutas e as cenas da história. As mecânicas de furtividade, combate e tudo que existia antes voltaram melhoradas, como árvores de habilidades para aprimorar o combate, recursos escassos e muitos outros aspectos.

A novidade da vez é a mesa de upgrades para as armas, que usa recursos especiais para aperfeiçoar cada armamento e inclui miras, mais estabilidade e aumento da capacidade de balas.

Fonte: Playstation

Fonte: Playstation

Além de pegar o que já havia de melhor, refinando os elementos de survival horror e as técnicas de tiro, o game dá mais opções ao jogador, do level design às estratégias de combate. Ellie é mais ágil, tem um estilete que não quebra e que pode ser usado para matar Estaladores e por aí vai.

Há outros personagens jogáveis que também têm suas particularidades, algo que é muito perceptível nos controles. Há novas armas, recursos e até inimigos, como os cachorros que conseguem sentir o cheiro de Ellie para farejar os passos da protagonista.

Possivelmente a parte mais legal é que o segundo jogo é mais aberto, explorável e com atenção aos detalhes. É muito fácil se perder no mundo incrivelmente bem construído da Naughty Dog, que agora é maior, mais livre e oferece até formas diferentes de abordagem nos encontros com os adversários — sejam infectados, sejam humanos. Houve a adição de um botão de pulo que ajuda na exploração, mas também não se distingue dos movimentos scriptados do título anterior.

Sem dúvidas, o brilho do game reside em sua movimentação e seu requinte em misturar realismo com gameplay fluido. O combate corpo a corpo foi amplamente aprimorado, com animações espetaculares e um novo botão de esquiva, algo que muda drasticamente o que vimos no primeiro jogo.

Fonte: Playstation

Fonte: Playstation

The Last of Us Part II faz com que os jogadores sintam o peso de cada soco, golpe de arma branca ou coice de bala disparada. Todo embate com inimigos traz tensão e exige cautela na abordagem, já que é fácil morrer. Todavia, há certos aspectos que poderiam ser melhores, como a dificuldade ser mais adaptativa (mesmo no modo Difícil, não houve falta de recursos, como deveria) e a IA ser melhor, já que segue o pilar implementado no primeiro game e carece de inimigos que ajam de forma mais inteligente.

Graficamente incrível e um dos melhores da geração

Um dos pontos mais impressionantes dos produtos da Naughty Dog é a atenção aos detalhes. Vemos isso em toda a franquia Uncharted e no primeiro The Last of Us. E esse mesmo cuidado não poderia faltar em TLoU2.

Assim como nos jogos “finais de geração” — e estamos a poucos meses do lançamento de PlayStation 5 e Xbox Series X —, vemos os melhores gráficos dessa geração em The Last of Us II. O feito que a primeira parte conseguiu no PlayStation 3, a sequência repetiu no PlayStation 4: ter gráficos impecáveis.

Tudo roda em fluidos 30 fps sem quedas e há poucos bugs notáveis. Por ser um mundo menos dinâmico e de tempo e clima fixos, a desenvolvedora conseguiu se atentar e refinar absolutamente tudo o que há nos cenários, criando um espaço vívido e quase palpável, de tão realista.

Expressões faciais e atenção aos detalhes

The Last of Us Part II traz uma variação extensa de personagens, cada um com a própria história. Suas expressões faciais, que beiram a realidade, contribuem na empatia ou na antipatia que você pode ter.

Ellie e suas expressões faciais

Fonte: Playstation

Fonte: Playstation

Dá para afirmar que em diversos momentos é possível sentir o mesmo que Ellie ou outros personagens vivem naquele instante, pela fidelidade visual e ótima atuação dos atores. Em momentos de confronto, por exemplo, é visível a veia saltando da testa da personagem.

Além dos detalhes faciais e corporais, cada movimento tenta ser o mais fiel possível em relação à realidade. Ao andar com Ellie, é possível ver os ganchos de sua mochila pulando de acordo com seus passos. Também fica nítida a atenção nos movimentos de colocar ou retirar objetos da mochila.

Ambientes

Como tudo no jogo, cada mínimo detalhe foi pensado e colocado no seu devido lugar nos cenários. Existem diversas variações de plantas no primeiro dia em Seattle que são extremamente fiéis às reais e conseguem refletir como seria um mundo pós apocalíptico depois de mais de 20 anos de pandemia.

Fonte: Playstation

Fonte: Playstation

Vale a pena?

The Last of Us Part II certamente merece destaque como um dos jogos que fecham a oitava geração e se torna um dos grandes títulos da vida do PS4. A narrativa possivelmente não é tão boa quanto a do primeiro game, mas tem seus momentos e passa uma mensagem forte e memorável.

De fato, não é perfeito. Assim como muitos games bons, há problemas em alguns aspectos. A trama poderia apresentar personagens mais bem desenvolvidos, chegando a ter momentos de ritmo ruim que poderiam ser podados, e há bugs eventuais.

Entretanto, a história impactante, brutal e difícil de engolir cria uma jogatina que não deixa parar até chegar ao fim. O gameplay refinado e os personagens muito bem construídos certamente farão valer a pena investir seu tempo em um dos títulos mais bonitos e polidos dos últimos anos.

Prós e Contras
  • Trama muito bem-feita que motiva o jogador do começo ao fim
  • Sistemas e mecânicas refinados em relação ao primeiro game
  • Diversas adições bem-vindas, como upgrades de armas e mundo mais amplo e explorável
  • Gráficos soberbos que rodam em 30 fps fixos sem qualquer engasgo
  • A trama pode se estender demais sem dar atenção a personagens que carecem de um desenvolvimento melhor
Avaliação do editor
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